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Ana Larrañaga, diretora da FITUR fala das características da edição de 2011

16 de Janeiro de 2011 9:48pm
Ana Larrañaga, diretora da FITUR fala das características da edição de 2011

Uma das características da FITUR é a flexibilidade e a renovação. Uma das mais recentes incorporações é uma nova área de exposição dedicada às propostas turísticas para o segmento LGBT (Lesbianas, Gays, Bissexuais e Transexuais). Sobre os propósitos e características desse espaço, a Caribbean News Digital conversou com a senhora Larrañaga.

Quais são as características principais que fazem que o segmento LGBT seja um nicho de mercado turístico que se deseje captar?

Diferentes pesquisas mostram que é um segmento que tem as viagens entre suas principais preferências de lazer. Em termos gerais, seus gastos são superiores aos do turista médio; são grandes consumidores e gostam do design, das compras, da gastronomia, das saídas noturnas e isso faz com que sejam um segmento muito desejável para qualquer destino.

No aspecto econômico, o grupo LGTB é semelhante aos DINK que em inglês significa Double Income No Kids, ou seja, pessoas com maior poder aquisitivo e maiores gastos.

Qual o gasto meio destas pessoas em relação à média, e o que se espera delas no destino Espanha?

Um informe da Turespanha mostra que seus gastos geralmente superam em 30% os do viajante médio. Há várias décadas, a Espanha ressalta seu potencial como destino turístico de qualidade: com excelentes serviços, hotéis, etc. Isto é a melhor proposta para o turista mais exigente, e sem dúvidas, o coletivo LGBT é um segmento exigente, que sabe apreciar esta excelência do setor turístico espanhol.

Além do setor de viagens e turismo, existem diferentes indústrias e nichos de mercado interessados no segmento LGBT. Pensam em alguma parceria para a participação na feira?

Nesta primeira edição temos uma parceria com o Patronato do Turismo de Madri. Sobre às indústrias, imagino que estás pensando nas ligadas às atividades de lazer noturno ou shopping, segmentos que, sem dúvidas, terão representações na FITUR LGBT porque complementam o atrativo patrimonial, cultural, de sol e praia, etc., de qualquer cidade, província ou país.

A senhora pensa que a visibilidade atual deste mercado tenha relevância para os participantes internacionais à procura de bons negócios?

A FITUR é uma feira internacional entre as três mais importantes do mercado turístico; a Espanha é um dos destinos favoritos do segmento LGBT... De modo que é lógico que a proposta LGBT no Salão tenha também eco em outros espaços, em profissionais do mercado que tradicionalmente são emissores para o turismo espanhol e que trabalham com o segmento LGBT. É lógico que visitem esta área para conhecerem as propostas disponíveis.

A organização da feira entrou em contato com as principais organizações internacionais e nacionais LGBT? Quais delas vão participar da mostra?

Temos estado em contato com as de Madri, através do Clube de Produto LGBT do patronato da capital. Da mesma forma, antes de concretizarmos a proposta da FITUR LGBT, conversamos com as principais associações para conhecer os gostos e necessidades dos viajantes LGBT e propor uma oferta adequada. Uma vez constituído o programa, esperamos contar com eles no Salão.

Segundo o informe da Turespanha, este país e o Brasil são dois dos destinos mais procurados por este segmento. Quais considera a senhora que são as características que fazem da Espanha um destino tão solicitado para este tipo de turismo?

A nossa oferta turística variada e a qualidade nos serviços, infra-estruturas, etc., que se adapta aos gostos deste segmento. Além disso, a Espanha é um país bem tolerante com esse grupo, que avança no tema dos direitos sociais e isso faz com que se sintam à vontade durantes suas férias. No que tem a ver com o segmento de Sol e Praia, as costas espanholas são líderes como destino do Mediterrâneo, e a Grã Canária é o único destino gay europeu round the year (o ano todo).

Quais são as regiões ou cidades espanholas com maior desenvolvimento neste setor?

Precisamente, a Grã Canária está entre os destinos LGBT preferidos, junto com Sitges, Ibiza, Benidorm, Torremolinos, além de cidades como Barcelona e Madri.

Quais são as previsões de participação desse setor nesta edição da FITUR, em termos de expositores, metros quadrados e visitantes?

As previsões são de cerca de vinte expositores, distribuídos em 400 metros quadrados. Com respeito aos visitantes, sendo a primeira edição é difícil de estimar.

Quais são os países emissores que são considerados de maior potencial para este tipo de turismo?

Entre os principais mercados emissores neste segmento, e com maior potencial de desenvolvimento, incluímos os britânicos, norte-americanos, alemães e italianos. Alguns destes mercados LGBT coincidem com nossos principais emissores de turistas em geral: turistas que já apreciam e provavelmente já conhecem as excelências da nossa oferta turística.

Recentemente, a Argentina deu um grande passo com com a aprovação legal do casamento gay. Que países da América Latina vão ter espaço reservado?

No momento temos vários pedidos que vão se concretizar nos próximos dias, entre eles os da Argentina e do Brasil.

Existem cidades em vários países que têm um grande desenvolvimento neste tipo de turismo, quer seja por suas leis ou pela quantidade de população LGBT, como São Francisco e Los Angeles, nos Estados Unidos. Vão ter em conta especialmente emissores como esses para a participação?

Na verdade, o espaço FITUR LGBT está aberto a qualquer destino interessado em atrair o segmento: seja porque têm uma oferta consolidada neste âmbito ou porque estão começando a construir programas para esse mercado. Porém, é lógico que não percamos de vista os que atualmente são principais emissores, como é o caso dos Estados Unidos, e que potenciemos a promoção da FITUR LGBT entre os profissionais do mercado porque, evidentemente, estarão mais interessados nestes programas.

Outros países, destinos ou emissores presentes nesta área...

Teremos uma ampla representação de numerosos destinos espanhóis e também de empresas que têm produtos específicos para esse mercado.

Que tipo de campanhas promocionais estão fazendo?

Nesta primeira edição, os esforços se concentram em explicar o lançamento desta área, que seja conhecida e estimular a participação.
Levando em conta o potencial de desenvolvimento deste segmento, pensamos que é interessante para a mídia geral e especializada no turismo.

Anunciou-se que a nova área de exposição para o turismo LGBT é uma parceria com o Patronato do Turismo de Madri. Quais são os elementos dessa colaboração?

Como já dissemos, o Patronato nos deu um networking, através de seu Clube de Produto LGBT, que reúne as principais empresas de Madri deste segmento.

O espaço FITUR LGBT estará localizado em um pavilhão específico e será uma área independente e diferenciada. Isso não poderia isolar a proposta?

Absolutamente não. O que a gente quer é reunir estas propostas para que o visitante interessado as encontre em um único espaço. Trata-se de um modelo que utilizamos também para diferenciar outros segmentos, como o FITUR GREEN, que agrupa as empresas que propõem soluções para melhorar a sustentabilidade dos alojamentos turísticos, ou RECEPTIVOS ESPANHA, que também diferencia as companhias que trabalham com a Espanha como destino turístico.

Ainda existem setores da sociedade que não aceitam ou não assimilam as pessoas desses grupos. Tiveram algum tipo de pressão ou obstáculo para acrescentar este nicho específico na FITUR?

Não. A FITUR é uma Feira independente, ao serviço do setor. Para sermos realmente úteis, temos que, entre outras coisas, responder às diferentes demandas do mercado das viagens e é isto o que pretendemos com a FITUR LGBT: mostrar um tipo de demanda que pode resultar de máximo interesse para empresas, destinos, etc.

Que atividades pensam realizar para fazer mais dinâmica a participação das diferentes entidades LGBT, e também para o público?

Como o senhor sabe, a FITUR LGBT inclui, além de um espaço de trabalho para os expositores, um lugar dedicado à apresentação das características de destinos, programas, etc., tanto para profissionais, de quarta a sexta-feira, quanto para o público o fim de semana.

Que espaços e temas estarão programados para palestras e apresentações?

Como comentava, as apresentações vão expor as peculiaridades da oferta disponível na FITUR LGBT.

Como pensam reforçar a presença da mostra LGBT nas redes sociais e que ações de seguimento estão previstas depois da feira?

A FITUR LGBT, como outras seções monográficas da FITUR, vai se beneficiar da presença da Feira nesses suportes. Desta forma, já se tratou o tema do turismo LGBT no blog da Feira, e comunicaremos pontualmente as novidades que resultarem desta área através dos nossos canais no Facebook, Twitter, Linked in, etc.

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